2 de abril de 2012
modo a mar
meu instante de espera
caneta pintando o céu
meus pulmões alargados
de tanto mar
tanto amar
a escrita no ar me preenche
o vazio
talvez sempre
de novo
o tango
piazzolla me invade
invade
avança
quebra
despedaça
destrói
arranca
pelas ancas
me lembra
do mar
do mar
do mar
do mar
do mar
do mar
do mar
me faz dançar
ambição do mar
não de outro modo
daquele que só sabe a mar.
31 de março de 2012
28 de março de 2012
Homenagem tardia ao instante da beira mar {no trânsito da manhã de uma terça-feira}
martins de sá {ligia protti}
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Fonte de vida, a origem
da energia se formando:
linha d'água.
O desejo, hierarquia
de dual sensualidade:
linha d'água.
Do papel o outro nome
a imprimir nossas palavras:
linha d'água.
Leia-se mapa interior
do corpo, carta de magma,
onde se lê linha d'água.
Olga Savary
23 de março de 2012
Toda ouvidos
Ideias tardias às vezes me assaltam o pensamento. Chegam portando um outro tempo que o instante não é. Pensamentos de um outro tempo. Colocações de um presente corrido, palavras que não voltam mais. Há que se ter coragem de seguir adiante. Andante, aprendiz de rumos incertos em busca do presente, sempre. Trago um pingente no peito para me lembrar do silêncio. Atento silêncio constituinte da palavra primeva, primordial, vinda daquele que é inominável. Daqui em diante espero ouvi-lo nascendo em mim.
14 de março de 2012
Mensagem cifrada na palha do cigarro que a boca flagra
Subitamente um tanto quanto som
há quando tempo não te via
-palavras soltas como mera desculpa-
teria ficado muda talvez nua
quem carrega água no corpo
tem desejo da terra
dos olhos
cegos de tanto mar
éramos dois duplos
descendo ao encontro de tontos lampejos
-na hora diria desejos-
cantando rubricas silenciosas de um novo texto
entre meias verdades
os nomes de batismo
impregnados de fonemas incertos
lóbulos cheios de vertigem
regados pelos dentes
que ainda me assaltam as coxas
enquanto sigo pela estreiteza do corredor enfumaçado de mato.
Subitamente um tanto quanto som
há quando tempo não te via
-palavras soltas como mera desculpa-
teria ficado muda talvez nua
quem carrega água no corpo
tem desejo da terra
dos olhos
cegos de tanto mar
éramos dois duplos
descendo ao encontro de tontos lampejos
-na hora diria desejos-
cantando rubricas silenciosas de um novo texto
entre meias verdades
os nomes de batismo
impregnados de fonemas incertos
lóbulos cheios de vertigem
regados pelos dentes
que ainda me assaltam as coxas
enquanto sigo pela estreiteza do corredor enfumaçado de mato.
17 de fevereiro de 2012
14 de fevereiro de 2012
eletrocardiograma
Ela olhava para ele. Olhava para ele com os olhos bem abertos na medida do possível para não ficar feia. Fitava-o a fim de dissecá-lo, soprar a pele por trás dos pelos.Olhava pra ele e esperava a caça ou ao menos uma palavra. Nada. Duas horas de calor e nada. Antes fosse porque estivesse amarrado. Ela também estava e nem por isso temia. Mas na posição de fêmea encarnada seria dele a primeira mordida. Aquela que não houve,ninguém ouviu, não havia. O calor era apenas por conta da umidade excessiva. Ou seria de veia-pulso-tensão-coração? Tesão era o que ela espreitava. Precisava para não desfalecer de tamanho querer na solidão da casa ouvir Piazzola desritmado.
Duplo humano
Naquele instante dois seres humanos se olham, macho e fêmea, instintivamente racionais. Se há silêncio, hiato no peito, ouve-se o ronco emergindo da base sacral ao ápice do crânio e, durante a breve decoupage dos segundos, ambos se inserem num tom de cor que já não há.
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{ligiaprotti}
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21 de novembro de 2011
23 de março de 2011
O Cerne Místico dos Trilhos
A noite terminou com Beatles na estação do trem. Era a minha primeira vez sobre o trilho até o centro do Brasil. De costas viradas para as portas, uma manada invadia a cada parada aquele longo rabo de sardinha coroado de lixo atômico. Quando a gente olha de rabo de olho, parece que o mundo todo balança. O vermelho desbotado dos parques de diversão que não existem mais, a infância perigosa nos bancos do trem e a sensação do leve descarrilar a cada giro dos pinos. Ainda há casais, loiras de salto, um homem negro de coturnos lendo uma revista sobre aeronaves. Enquanto isso, eu espero a Central. E que ela me chame, pois das estações que se seguem nesse instante não sei nem o cheiro. De repente, eis que surge um homem que grita. Grita. E repetidamente. Insiste na promoção do verão por dois e cinqüenta. Duas barras de chocolate a dois reais e cinqüenta centavos. Vasculho o cobre que me restou do mercadão, brasões de outro tempo, e na ânsia pela doce pasta branca recuso a oferenda a favor de uma moral. A viagem me rendeu esse escrito, mas o enjôo deve vir com a rotina. Àqueles que tentam o sonho, de talvez noites passadas em claro, o chacoalhar do ferro faz companhia. Ainda é dia segundo as lâmpadas enjauladas. No instante em que o negro de coturnos responde ao telefone "oi, meu amor", parece estarmos sendo metralhados. Passa no trilho ao lado uma mesma invenção. Destinos diferentes se cruzam enquanto o menino de blusa azul devora um pacote de biscoitos. Passa outro vendedor e este traz amendoim doce, pipoca e cansaço. Mais da metade das pessoas se levanta ainda com o peso do almoço adiado: é a estação do país que se aproxima. Alceu Valença toca a invenção do mundo nos imensos corredores, meu olhar vagabundo de cachorro vadio olhava a pintada e ela estava no cio. É disso que isso aqui é feito. De arrepios, perco o metrô tentando entender onde estou e para onde vou e relaxadamente solta num banco branco espero o próximo carro, que demora um bocado no calor do subsolo. Calor da quase meia-noite. Sou eu com minhas despedidas sem mais delongas, porque intimidade é pra poucos, se não o que mais me resta? Disfarço a demora coçando uma ferida na cabeça e, pela primeira vez desde a madrugada, sinto o peso do corpo, aceso desde quando era noite. Agora toca um clássico por mim indecifrável, mas acalma os ouvidos. O som e a carne suada com pés que latejam. E lá vem ele de novo barulhento, e sem nenhum comando minhas pernas o seguem até o assento. O assento verde. O vermelho é dos quase antigos. Por um instante me vejo refletida naquilo que os homens fazem a partir da areia. Ou seria um feito daquele cuja letra "a" tem seu nome?
17 de outubro de 2009
A CONCHA E O BREU
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{ligiaprotti}
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O SER VÁRIO
Porque gosto das sombras que se formam ao fundo do palco. Sombras de seres de carne e osso, ilustrando o ser vário. Porque gosto do trabalho que incentive a mente à reflexão, de toda forma de viver inconsciente que o ser humano criou. O teatro que conduza à reflexão nos mais recônditos espaços do corpo humano.
daniel com o sol na garganta {ligiaprotti}
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11 de setembro de 2009
STANISLAVSKIANA
Construo um arquivo de sentimentos e nele insiro algumas imagens, pessoas que me vêm à mente, memórias, alguém com quem certa vez você dividiu um cachorro quente. Carrego sempre uma luneta e observo as pessoas a cada gesto impensado pelas ruas da cidade.
O GRANDE CIRCO ÍNFIMO
Ínfimo. Aquilo que é diminuto, quase sem importância, salta-nos à face e me encontro naquela estrada de terra, agora esquecida. Personagens de um tempo com sol dialogam com as razôes de ser e estar no hoje. Ideologia vendida ou contra-mão? Não responda, por favor. Basta de balde água fria. Coração partido, circo humano. É disso que fala o Grande Circo Ínfimo: “com a fome do palhaço e a bailarina louca”, como já dizia Milton Nascimento. Pedaços, fragmentos do sonho, que se reencontram, mas não conseguem formar o círculo-circo-lona, como espiral contínua, novamente.
Rumos dispersos, através do violino dissonante, e o poema final traz-nos à tona. Ânsia pungente do sentido para o existir no mundo.
Rumos dispersos, através do violino dissonante, e o poema final traz-nos à tona. Ânsia pungente do sentido para o existir no mundo.
FRUTO TEATRAL
Corpo desmontado, descondicionado, cabeça e cauda, uma sabendo da existência da outra. "-É mais isso, e menos isso..sabe?" Pé derretidos no chão feito gelatina. Aprendi a pensar em ser esponja, de consciência e corpo poroso, coisa que antes nem sequer imaginava como forma de existência possível. Esponja que se enche de água e depois espreme, e volta a encher... A boca do Michel fazendo o som da água sendo sugada...aahhh....Os sons que a boca do Michel emite inundam os espaços.O tempo todo a boca emitindo sons, dando um elemento a mais às ações. Os fortes sopros de ar dando a indicação de descarrego: "-Tu abre a primeira vértebra, e ahhh..." E nós, construindo a rede, nós, feito cacho de uva, amadurecendo a cada alongamento, cada gama de movimento, quedas repentinas.
Aprendi que a possibilidade de existir, surgir, tá no erro. Experimentar é a regra. E hoje, após tantos dias, prazerosamente coagidos à des-regrar, brincamos no tempo de quatro luas crescentes de uma mesma sonoridade. Brindamos também por termos nos conhecido, por termos tido o prazer das ricas aulas, o valioso contato comsonoridades outras. Eu sou um, que sou você, que posso ser ele, que vou sendo. A cada tempo. Muito obrigada a todas as uvas do cacho, e principalmente ao Michel.
Aprendi que a possibilidade de existir, surgir, tá no erro. Experimentar é a regra. E hoje, após tantos dias, prazerosamente coagidos à des-regrar, brincamos no tempo de quatro luas crescentes de uma mesma sonoridade. Brindamos também por termos nos conhecido, por termos tido o prazer das ricas aulas, o valioso contato comsonoridades outras. Eu sou um, que sou você, que posso ser ele, que vou sendo. A cada tempo. Muito obrigada a todas as uvas do cacho, e principalmente ao Michel.
O JOGO DAS CONTAS DE VIDRO
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la luna de lorca {ligiaprotti}
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NIRVANA
O teatro é um meio de auto-conhecimento pelo exterior, como se olhássemos pela fechadura do mundo. O teatro é mentira o tempo todo.
20 de novembro de 2008
19 de novembro de 2008
/JE (T') AIME/
Compartilhar Dominique A. e a onipresença da fumaça que sai do incenso e se espraia por entre meus dedos. Pra te observar, me observando, perguntando, sem som, sobre os caminhos de dentro. Dois anjos e uma cama redonda. Pra te contar que na primeira transa vesti a roupa do dia do boicote ao prazer próprio. Puro prazer do contragosto. Boicote louco, com o qual, cada vez mais consigo dialogar, a fim de que vaze pra fora do inconsciente e, assim, eu vá longe, entretanto no mesmo lugar.
18 de novembro de 2008
15 de novembro de 2008
CASTA
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rom {ligia protti}
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me deliciarei com os gatos
Aquilo que rossa,
apronta,
me unha,
lambe
e rasga o que não presta da minha poesia já gasta
Senhores de outro tempo,
Imperadores agora rosnando por afago
Terei-os por toda a casa,
enquanto eu, gata.
20 de outubro de 2008
COME-MOREMOS
"eM ciMA do gUarDa-chUva TeM a cHuvA, que tEm goTAs tãO liNdAs Que aTé dá vOntAde dE cOmÊ-laS..."
ENSAIO DOS BARCOS
Talvez porque fosse tudo muito novo e não te conhecesse bem, portanto não havia temor. Talvez pela falta de sentimento suficiente, ou melhor, talvez porque esse nascesse naquele exato momento e como sol poente, inversamente, o surgir da luz embriagava as pupilas."Sees the sun going down.." já diziam os Beatles.
Talvez por isso tudo tenha dito, a fim de que a frieza não me tomasse as mãos, cabelos, corpo inteiro.
Se compreendo? É óbvio, compreendo. Só preciso de tempo pra sentir.
Talvez por isso tudo tenha dito, a fim de que a frieza não me tomasse as mãos, cabelos, corpo inteiro.
Se compreendo? É óbvio, compreendo. Só preciso de tempo pra sentir.
15 de outubro de 2008
GERINGONÇA
É claro que é cedo,
aliás, por isso mesmo é claro
sol nascendo e indo embora ao mesmo tempo
- a mim também ofusca-
porém, de duas, uma:
a queima do livro,
ou a re-invenção do acaso
so fucking démodé, admito
carrego vermelho nas flores por detrás dos cílios.
aliás, por isso mesmo é claro
sol nascendo e indo embora ao mesmo tempo
- a mim também ofusca-
porém, de duas, uma:
a queima do livro,
ou a re-invenção do acaso
so fucking démodé, admito
carrego vermelho nas flores por detrás dos cílios.
12 de outubro de 2008
À METRÓPOLE
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avenida paulista {ligia protti}
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São Paulo traz uma sensação de imensidão inacabada, como grão de areia nas praias. É mais um com todos à volta. Uno more. Bicos arrepiados na ida ao teatro, as pessoas trajando preto, ausência de colores. A conversa com o professor que fedia a cigarro fez a fumaça me invadir as narinas e entortar os pêlos dos faceiros buracos. Dois gays sentados, conversando. Belos, belos. Casais aconchegados em all star, jeans e casacos en-lã-çados. Sampa. Toda sua. Imensidão de sentidos, por vezes vindos de destroços plutônicos. Aponto para os bucólicos desenhos por entre as basálticas rochas da Paulista. E dalí mesmo procuro o vulcão.
Um viva à cidade que não dorme!
A FAMÍLIA
Ela se arruma para ir à igreja, cobre-se das melhores vestes. Triângulo, abaixo o quadrado, e objetivamente esse é o modo de se vestir do marido. A filha, de mediana data natalina, os acompanha babando os longos cabelos que cacheiam o estrondo do salto. Mas, alto lá, pois chove e sobre suas cabeças dois negros guarda-chuvas se movem, um sobre o casal e outro acompanhando a filha. É de seda ornada com pinduricalhos e rendas, a culpa cristã.O pai geométrico que o diga. Há tempos não se lembra do que é ser pipa, e farto está do cotidiano, que a cada coxia velada, insere os anos em seus dias de vida: essa mesma brevidade que ainda é gasta, todos os domingos, na ida ao confessionário.
9 de outubro de 2008
INSÔNIA ou O DIÁLOGO DOS PALITOS DE FÓSFOROS
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auto-retrato {ligia protti}
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-...
(pausa longa)
-Tá tudo bem?
- Ah sim, obrigada por perguntar..(uma longa inspiração) Tudo bem, sim, tive um dia cansativo e engraçado. De longe, parecia enxergar roseiras no campo.. (canta) "não mão direita tem uma roseira, autenticando eterna primavera.." sabe?! E agora crio um diálogo solitário. Ok, ok, chove lá fora..talvez seja por isso. É...seu silêncio...não pedi por isso. Acho que vou-me. Já basta. E o som da água tarda a passar. Isso me agrada, todos sabem....Rio. Rio e choro...Dia de esvaziar canais.
-Beijos
-Beijos
22 de setembro de 2008
Indecisão. Mal do século. Ideologia sem patas. Nua, mas de colarinho branco. Jamais diria tudo o que penso, até porque a crítica exige um conhecimento prévio. Há loucuras esparsas entre meus pensamentos, o que já os tornam out of padrão de consumo, new order.
Assumo o risco durante o expandir das gotículas de saliva.
Assumo o risco durante o expandir das gotículas de saliva.
30 de agosto de 2008
O QUERERES
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{ligiaprotti}
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incensos de lótus azuladas
e pela madrugada
faço amor com samba,
dispenso censuras
e me permito lugares ainda não habitados.
"Sim, ou não?" Lançaram-me.
Noite de encontros corpóreos com o acaso, embora de certo premeditados.
Sorri apenas, pois tortos são os quereres.
ANTES DE TUDO
Quando ainda era concha
polpei palavras por medo do que pudesse parecer:
cata-ventos.
A música gira, e o elemento dionisíaco embriaga.
Ainda na havia aprendido a dizer, por isso carregava cata-ventos no sexo.
polpei palavras por medo do que pudesse parecer:
cata-ventos.
A música gira, e o elemento dionisíaco embriaga.
Ainda na havia aprendido a dizer, por isso carregava cata-ventos no sexo.
27 de agosto de 2008
Fiz da madrugada, descoberta
espelho, silêncio, mil tons soando
internamente vermelho cereja apenas
fruta que volta a tornar-se madura flor
exalando cheiros, temperos de mil e uma noites
negando gratuitos prazeres , querendo a nudez bacante após versos de Dante
sonhei, sonhei, no céu estrelas bandeiras
pra me guiar, quatro luas
e bocas líricas.
espelho, silêncio, mil tons soando
internamente vermelho cereja apenas
fruta que volta a tornar-se madura flor
exalando cheiros, temperos de mil e uma noites
negando gratuitos prazeres , querendo a nudez bacante após versos de Dante
sonhei, sonhei, no céu estrelas bandeiras
pra me guiar, quatro luas
e bocas líricas.
10 de agosto de 2008
24 de julho de 2008
"Sempre soube que nada encontraria aqui" - pensou ele. Mas sempre procurou. Por que? Porque queria encontrar. E a todos aqueles que podia, questionava sobre qual sentido estes, que por um acaso do destino, cruzavam a sua vida, se apoiavam para todas manhãs acordar e vestir os sapatos, vagando de nada para nada com copos de café. Queria algo que lhe viesse em resposta nos ouvidos. Como um sopro, como aquela vez em Saquarema quando a maresia batendo em seu rosto sussurrou a fagulha deste incêndio particular. O sentido talvez pudesse ser seu também, o sentido do outro, mesmo sabendo que era um assunto único, e que se existisse um Deus, esse o havia escondido muito bem para que não fosse fácil encontrar.
Então aquietou-se, porque talvez esta resposta lhe custasse a vida, e a vida em si já bastava.
Adormeceu sobre a ausência dos próprios sentidos.
by Lucas Protti
3 de junho de 2008
SOMBREIRO
Cabe a mim admitir a vida própria do meu não tão -ainda- conhecido inconsciente. Belíssima atuação, se analiso a autenticidade, o não medo, coragem, e o modo amoral como atua.
Primeiro, se mostra no sonho e, depois , ainda não satisfeito, surge nas palavras trocadas, embaralhadas. Ao primeiro sinal pode-se pensar que estou confusa, mas é apenas o vir à tona do que em mim, no mais interno e ofuscado pelas sombras, há. Pensamento negado, aquilo que escondemos atrás das roupas que menos usamos, dentro de gavetas já emperradas.
Escuto-o, reflito, mastigo, falo, grito. Não há porque temê-lo, pois que é lavra, nascente, precisa escoar, afinal, represado, desbaratina. Como se fosse impensado, já que é sempre domado, se faz presente inesperadamente. E, de fato, presente é, se souber identificá-lo.
No lugar do teu nome houve outro
porque fervilhava o episódio pouco antes ocorrido
nada além disso
houve grito
- o compartilhar alivia-
era preciso que soubesse
eu apenas, ainda, não sabia
agora sim, dialogo
com ele, com tú
em mim
conosco
ouço-me e sou ouvida.
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{ligiaprotti}
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Primeiro, se mostra no sonho e, depois , ainda não satisfeito, surge nas palavras trocadas, embaralhadas. Ao primeiro sinal pode-se pensar que estou confusa, mas é apenas o vir à tona do que em mim, no mais interno e ofuscado pelas sombras, há. Pensamento negado, aquilo que escondemos atrás das roupas que menos usamos, dentro de gavetas já emperradas.
Escuto-o, reflito, mastigo, falo, grito. Não há porque temê-lo, pois que é lavra, nascente, precisa escoar, afinal, represado, desbaratina. Como se fosse impensado, já que é sempre domado, se faz presente inesperadamente. E, de fato, presente é, se souber identificá-lo.
No lugar do teu nome houve outro
porque fervilhava o episódio pouco antes ocorrido
nada além disso
houve grito
- o compartilhar alivia-
era preciso que soubesse
eu apenas, ainda, não sabia
agora sim, dialogo
com ele, com tú
em mim
conosco
ouço-me e sou ouvida.
1 de junho de 2008
Sulcos na carne
palavra adentro
alimento
fluxo contínuo sugando suor
respiro/respiro/respiro
giro incessante
como negamo-nos tantas e tantas vezes?
-Diga-me, palavra!
Solista palavresca contínua
por vezes escapulindo por entre os dentes
mordendo a mim mesma
meu esperma Hera
que me lança lança dança
giro no som
saliva
solista de som imaginário
quedas desmedidas
respiro
teu hálito forma minha linfa
arcada única das sílabas sulcando o corpo
inflando o peito
corteja
goteja
lanternas gotejando dos teus olhos
aos meus
aos montes
monte de vênus
teu peito
meu púbis
minha boca rima com seu falo.
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{ligiaprotti}
|
Sem me importar em entoar canções fora do tempo
nem temer algum desapontamento
fiz da vontade, sopro
despida do casulo imaginário
enviando mensagens coronárias
a fim de derrubar temores
realidade no lugar da cena
beijei-te a boca como quem toca purpurina no ar
e teu rosto de espanto me fez mais Vênus.
23 de janeiro de 2008
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auto-retrato {ligia protti}
|
passou por entre ventos
tempestades
caminhou livre
o vento por entre seus dedos
uma mão
sozinha
de repente
encontrou outra
também só em sua lida
tocaram-se
contato feito
seguiram segurando-se
apoiando as pontas dos dedos
brincando de espelho
desbravando fendas
segurando medos
fundindo-se
até que uma das duas
lembrou do gosto do vento
de ser livre
lembrou do querer
ir ao alcance das estrelas
tocar o sol
lembrou do mar
chorou
eu também chorei.
4 de janeiro de 2008
Floresta à beira-mar
Não escolhi tal anonimato, nem desejei dizer verdades enquanto se constroem notas musicais. Mas, foi, de repente, que como o caroço da drupa me tirou o sono. Era noite, e teus olhos me lembravam a Índia.
Espectral ocular de desvio inconsciente, trouxe-me à boca gosto de corpo que fala em silêncio - corpo que fala em silêncio - transcedental no meio de todos.
Iluminada por todas as árvores dos frutos, meu gozo no meio de todos. Era noite, e tudo o mais evaporava-se. Boleros imaginários, voz ampliada na escuridão.Floresta cantando.
Espectral ocular de desvio inconsciente, trouxe-me à boca gosto de corpo que fala em silêncio - corpo que fala em silêncio - transcedental no meio de todos.
Iluminada por todas as árvores dos frutos, meu gozo no meio de todos. Era noite, e tudo o mais evaporava-se. Boleros imaginários, voz ampliada na escuridão.Floresta cantando.
23 de dezembro de 2007
Iceberg Natalino
Mais uma vez é Natal em minha cidade. Sei disso por causa das luzes, cansando-nos a retina, e por causa do aumento de crianças nas ruas pedindo esmolas. Sei que é Natal também devido à "ilustre" presença dos imensos bonecos de neve, colocados à beira mar. Quando cai a tarde vão sentar em seus colos crianças e mulheres que passeam de mãos dadas com namorados. Esses últimos lançam flashes sobre a neve do ser sorridente. E assim, não caibo em mim de tamanha "felicidade" ao ver a magnífica iniciativa em optarem por uma árvore com espumas brancas, no meio da principal praça da cidade-sol. Isso mesmo, meus caros. O quê?! Aquecimento global?! Que nada, isso não existe! É só pra assustar o povo do terceiro mundo, afinal tem neve até na praça. Tudo papo pra gringo ver. A gente quer mesmo é se fartar de peru com batata palha e champagne.
11 de dezembro de 2007
Espiral Noturna
Lâmpadas de cores várias.
A realidade de cada apartamento é única.
Os filhos pequenos do casal do térreo me fazem recordar a paz da infância. Brincam cantando fragmentos da música "Dona Baratinha".
Hoje o filme me deixou com um certo medo de São Paulo. Vi-a cinza, fria e solitária. Só os casais são felizes naquela galáxia. Assustada, retorno à caverna. Tão deslocada de tudo - política, novela, antúrios - será que o mundo ainda me recebe? Será que me oferece chá de laranja com biscoitos, ou simplesmente me manda esperar?
- Não sou todas. Sou somente aquela lá-
Basta de espelhos cinematográficos. Sou minha própria escultora. E assim, sei que não há como ir contra os dias que antecedem a calmaria das rubras águas, quando minha boca de baixo fala.
Nestes, fico triste e mórbida, quase uma fada. Penso, então, ser possível viver sozinha na Via Láctea.
-Ai dos que me lêem na rua. Não vêem-
Como devagar e no escuro do abajur feito de palha. Como e penso na existência. Pão que me alimenta, parede que me sustenta, a cama me dá o aconchego e o vermelho da cortina é o que me chega aos olhos. Sou essa que vos fala. E confesso que fiz tudo ao contrário. E nessa, cinco anos se passaram.
A realidade de cada apartamento é única.
Os filhos pequenos do casal do térreo me fazem recordar a paz da infância. Brincam cantando fragmentos da música "Dona Baratinha".
Hoje o filme me deixou com um certo medo de São Paulo. Vi-a cinza, fria e solitária. Só os casais são felizes naquela galáxia. Assustada, retorno à caverna. Tão deslocada de tudo - política, novela, antúrios - será que o mundo ainda me recebe? Será que me oferece chá de laranja com biscoitos, ou simplesmente me manda esperar?
- Não sou todas. Sou somente aquela lá-
Basta de espelhos cinematográficos. Sou minha própria escultora. E assim, sei que não há como ir contra os dias que antecedem a calmaria das rubras águas, quando minha boca de baixo fala.
Nestes, fico triste e mórbida, quase uma fada. Penso, então, ser possível viver sozinha na Via Láctea.
-Ai dos que me lêem na rua. Não vêem-
Como devagar e no escuro do abajur feito de palha. Como e penso na existência. Pão que me alimenta, parede que me sustenta, a cama me dá o aconchego e o vermelho da cortina é o que me chega aos olhos. Sou essa que vos fala. E confesso que fiz tudo ao contrário. E nessa, cinco anos se passaram.
30 de setembro de 2007
Doce Gozo
Pôs-se, então, a se deliciar com o processo. Seu primeiro contato com tal alegria foi senti-la através dos lábios. A parte úmida destes que fica toda a vida intravertida, se comunicando apenas com os dentes, tinha agora a presença daquele objeto. Utilizando-se dos dedos para guiá-lo, deslizou-o por sobre a boca umedecida por inteiro, agora pela língua. Foi quando se sentiu invadida pelo entorpecimento que, naturalmente, tal objeto lhe causava através do contato com a mucosa e, ainda, por entre os dentes na gengiva. A sensação, provocando o ocular revirar das pálpebras, fez com que colocasse o tal objeto por inteiro dentro da boca, de uma só vez, chupando-o lentamente, agora livre dos dedos. Sugava e remexia-o com a língua procurando o contato com todas as cavidades daquela caverna vermelha e úmida. Em cada canto um gosto, um gozo. Seu corpo, agora, escorregava pelo sofá ,livre, pois havia encontrado o sumo daquilo que tanto chupava. Chupava, chupava. E a cada sugo seu, mais caldo soltava. Tratava, então, de engolir de uma só vez aquele caldo adocicado que se soltava e pensava na definição daquele momento. Foi, então, que desistiu de pensar. Catou no chão o papelzinho e leu: "bala de hortelã com recheio de caramelo".
13 de setembro de 2007
3 de setembro de 2007
OUTONO-INVERNO
Carente de orvalho
lótus estirada [seca] quase pálida
nutrida por raízes de tropismos incertos
nutrida por raízes de tropismos incertos
12 de agosto de 2007
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auto-retrato {ligia protti}
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Dei pra escrever-te assim, nua, lápis em punho, feito seu pau -rijo- quando em contato com minha coxa.
Dei pra escrever-te louca, exalando fogo pela boca, capaz de incendiar a Torre de Babel que sustenta nosso ato.
Dei pra escrever-te assim, desse jeito, boba, sedenta pra gargalhar quando seu íntimo me invade.
Dei pra escrever-te sua,
simplesmente porque dei-te,
e nada mais agora tem volta.
17 de maio de 2007
NA MADRUGADA MATINADA DO ERVA DOCE
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{ligiaprotti}
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Anímica cor do espaço. Lança-me. Laça-me. Eu falo do que me abate. Banida do que eu penso ser. Sendo outrem. Vou-me.
10/05/07
(na madrugada matinada do Restaurante Natural Erva Doce - UFRRJ)
TATOS
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porta do fluxo contínuo {ligiaprotti}
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Isso que me sai
como gozo entre as pernas
de fluido róseo
doce sumo da fruta
é quente e chega feito lavra
Estilhaçar de cactos
tontos espasmos
alvorada
isso que me sai
buscando-me completa
Espectadora de mim mesma
me avisto, leve, cálida, tímida
me avisto e me perco
sangria e grilhões através dos montes
Carrego o mundo entre as pernas
21/12/06
30 de abril de 2007
23 de abril de 2007
Sol poente. Tiro do chão uma pedra. Devaneios do inconsciente. É vã minha preocupação materna. Descaso palavras abertas. Crianças crescendo amputadas, retorcidas. Ainda assim, tudo me força a gerar vida.
Me mima, me mima. Marquei um encontro de sílabas com a jia. Todas as mulheres são capazes do sexo. Todas dignas de uma transa. Até mesmo as sem membros, absurdamentes deslocadas. E, assim como o gozo de saber que alguém lhe observa, caminho à procura de mim mesma.
17/04/07
Me mima, me mima. Marquei um encontro de sílabas com a jia. Todas as mulheres são capazes do sexo. Todas dignas de uma transa. Até mesmo as sem membros, absurdamentes deslocadas. E, assim como o gozo de saber que alguém lhe observa, caminho à procura de mim mesma.
17/04/07
10 de abril de 2007
ABUELA
foi aquilo tudo
junto
naquilo que é tudo
junto foi
foi que tudo que é
aquilo, foi junto
e eu, era filha neta menina
abril/2006
27 de março de 2007
Nós amamos,simplesmente amamos. Com todas nossas imperfeições e inseguranças, nós amamos os nós.
Nós amamos, e queremos ser amados. Nós amamos às vezes, calados. Porque quem ama é a gente, e não o outro lado.
A gente sente na pele,a gente acha esquece,a gente quer nunca correr o risco, a gente às vezes transborda alegria e explode de riso.
Acho que eu falo demais, mas depois paro e me pergunto, não tem nada medindo nada,é só a minha cabeça restringindo tudo. Sem falar nada, mudo. Uma hora mudo.
O importante é ser intenso,quebrar a balança, não ser avarento. Sem caprichos, sem vícios.
O importante é ir alto, tocar o céu independente da queda, do tamanho. Ser humano e beber do mel.
por lucas protti
Nós amamos, e queremos ser amados. Nós amamos às vezes, calados. Porque quem ama é a gente, e não o outro lado.
A gente sente na pele,a gente acha esquece,a gente quer nunca correr o risco, a gente às vezes transborda alegria e explode de riso.
Acho que eu falo demais, mas depois paro e me pergunto, não tem nada medindo nada,é só a minha cabeça restringindo tudo. Sem falar nada, mudo. Uma hora mudo.
O importante é ser intenso,quebrar a balança, não ser avarento. Sem caprichos, sem vícios.
O importante é ir alto, tocar o céu independente da queda, do tamanho. Ser humano e beber do mel.
por lucas protti
24 de março de 2007
HERA
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{ligiaprotti}
|
Acabei me tornando
a bailarina de um,
malabarista de outro,
a atriz de mais alguém
e até mesmo a poetisa de um outro
a bailarina de um,
malabarista de outro,
a atriz de mais alguém
e até mesmo a poetisa de um outro
Sempre e sempre musicada
E eu mesma? !
Seria Hera?
Sim, eu era.
E eu mesma? !
Seria Hera?
Sim, eu era.
05/2005
JÁ NÃO HÁ
Sem querer tornar-me livro. Sem querer, tornar-me sã.
Palavaras foram feitas para o papel. Pára, pára, sempre seremos nesse presente que se estende.
Precisando de identidade. Calçar-me. Amuleto-feito.
Só sabendo quem sou saberei impôr o que é de mim. Sabendo meu ser, sendo. Ingestão não-forçada. Lacuna. Livre. Preenchimento
Sãos seus meus momentos. Te imploro o cuidado. São seus meus teus braços, e não mais sua minha cama. Passado o passo, sido, sigo.
Palavaras foram feitas para o papel. Pára, pára, sempre seremos nesse presente que se estende.
Precisando de identidade. Calçar-me. Amuleto-feito.
Só sabendo quem sou saberei impôr o que é de mim. Sabendo meu ser, sendo. Ingestão não-forçada. Lacuna. Livre. Preenchimento
Sãos seus meus momentos. Te imploro o cuidado. São seus meus teus braços, e não mais sua minha cama. Passado o passo, sido, sigo.
25 de fevereiro de 2007
Há coisas que não são ditas
Que ao entrar no espaço ao teu lado
te percebi desde o início
Que na vontade de saber teu cheiro mais íntimo
adormeci com a cabeça na tua bermuda
esquecida sobre o beliche
muito antes de pensar em ser tua
Que teu beijo demorado me provoca uma moleza úmida
Que apesar de ligeira,
adoro o modo calmo como me tens em tuas mãos
tua voz que fica rouca, tenra
teu domínio sobre minha nuca, arrepio pleno da alma
Te ver sobre meus olhos
fazendo-me inteira tua
trafegando com suspiros por entre meus poros
enquanto destilo a sensação que o contato de nossos corpos me provoca
Deixando-nos ser, simplesmente
Que ao entrar no espaço ao teu lado
te percebi desde o início
Que na vontade de saber teu cheiro mais íntimo
adormeci com a cabeça na tua bermuda
esquecida sobre o beliche
muito antes de pensar em ser tua
Que teu beijo demorado me provoca uma moleza úmida
Que apesar de ligeira,
adoro o modo calmo como me tens em tuas mãos
tua voz que fica rouca, tenra
teu domínio sobre minha nuca, arrepio pleno da alma
Te ver sobre meus olhos
fazendo-me inteira tua
trafegando com suspiros por entre meus poros
enquanto destilo a sensação que o contato de nossos corpos me provoca
Deixando-nos ser, simplesmente
31 de janeiro de 2007
À CRIA
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{ligia protti}
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alegre porque de cada grão
trabalho o alimento
e essas são minhas riquezas [passarei-as à frente]
O que sei da comida e da dança
de tudo o que compõe o corpo
do nado, da água, natureza viva
Passarei à frente
mesmo que não para a cria de mim mesma,
mas transbordarei ao outro
Pois o que sei, não sei ao certo,
mas sei ser pouco
10/02/06
no Sol da Terra
29 de janeiro de 2007
INDEFINIDO
Vasto corpo de carne trêmula
meu perder-se acompanha o vai-e-vem da onda na areia
de início, erguida, ficando esguio o ventre,
arrebato-lhe o quadril contra o corpo,
sucinta explosão que me causa
Em movimento contínuo
jorram sumos de flores
licores
orvalhos da madrugada
mel de abelhas selvagens
fazendo brotar arrepios
do ventre à raiz dos cabelos
Vasto corpo de carne trêmula
território de dedilhar livre
em noites de lua crescente
corpo compositor de melodias incertas
ruidos sonoros, gemidos
É tua a minha mão na boca pensando em ti.
meu perder-se acompanha o vai-e-vem da onda na areia
de início, erguida, ficando esguio o ventre,
arrebato-lhe o quadril contra o corpo,
sucinta explosão que me causa
Em movimento contínuo
jorram sumos de flores
licores
orvalhos da madrugada
mel de abelhas selvagens
fazendo brotar arrepios
do ventre à raiz dos cabelos
Vasto corpo de carne trêmula
território de dedilhar livre
em noites de lua crescente
corpo compositor de melodias incertas
ruidos sonoros, gemidos
É tua a minha mão na boca pensando em ti.
23 de janeiro de 2007
LUA CRESCENTE
Jurada como se retornasse à terra,
é na meia lua, novamente,
que o sentir se distorce no pulsar.
13/07/05
16 de janeiro de 2007
CONTANHO
Pernas abertas
Cobertas de gotas correndo
Banho morno
Fogo
Queimando pelo banheiro e dentro de mim mesma
07/06/05
Cobertas de gotas correndo
Banho morno
Fogo
Queimando pelo banheiro e dentro de mim mesma
07/06/05
15 de janeiro de 2007
SENTIDA
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{ligiaprotti}
|
Munida de esperança cor-de-rosa
Perfumada de ylang-ylang
Na bolsa trazida
Transbordante de vida
Ávida pela boca, dedos e língua.
28/05/05
11 de janeiro de 2007
DESMUNDA
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{ligiaprotti}
|
Disseram-me
(alguém que não me conhece, tampouco eu)
que Balzac tinha os mesmo desvaneios
Julieta desse modo que escrevo
permaneço vendo sempre o que menos se vê
melancolia que me consome
sentindo a vida desgarrada
desse universo interno
perceptível agora
Desgarrada do todo que me assombra durante o caminhar
quando não devo e não temo,
mas carrego estes olhos cegos
que de real nada enxergam
Nada
(pois tudo é essa vida mundana
cada vez mais distante)
Julieta desse modo que sou
de certo não nasci pra viver
[se o travar das amídalas for vida]
vida essa que por mais que se valha de caminhar sozinha
fica sempre melhor chapada de alegria compartilhada.
09/06/05
7 de janeiro de 2007
PRESENTE VERMELHO
"Quero escrever o borrão vermelho de sangue com as gotas e coágulos pingando de dentro para dentro (...)"
Clarice Lispector
Do mesmo modo como me lembra o fervor das vestes espanholas, foi também uma escritora de lá, Rosa Montero, que me motivou a escrever sobre esse assunto dizendo quase não haver obras literárias sobre esse tema, tão constante e intermitentemente feminino.
Escrever sobre ela é como deixar vir, permitir que chegue, adaptando-se ao novo, que já é tão costumeiro. É como ficar de pé e perceber o quanto, daí sim, melhor ela flui...Reconhecer.
(em construção)
Clarice Lispector
Do mesmo modo como me lembra o fervor das vestes espanholas, foi também uma escritora de lá, Rosa Montero, que me motivou a escrever sobre esse assunto dizendo quase não haver obras literárias sobre esse tema, tão constante e intermitentemente feminino.
Escrever sobre ela é como deixar vir, permitir que chegue, adaptando-se ao novo, que já é tão costumeiro. É como ficar de pé e perceber o quanto, daí sim, melhor ela flui...Reconhecer.
(em construção)
6 de janeiro de 2007
5 de janeiro de 2007
NUA
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|
Já rabisco
me despindo
nudez da cor do papel
daquelas onde o sol não toca
me despindo
nudez da cor do papel
daquelas onde o sol não toca
Desnudo meu mundo
e mundana torna-se a nudez
nudez de luz vaga
daquela que ecoa da lamparina
E quando sentida assim,
de tudo despida,
sinto-me em vida,
viva.
02/06/05
1 de janeiro de 2007
FEMININA
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uma voz de lua disse coisas certas {ligiaprotti}
|
"Em dia fértil
Desperto férvida
Cheirando frascos
Fazendo versos
Desperto fútil
Tecendo fios
Desenhando fetos"
(Thaís Guimarães)
FESTA À FANTASIA
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{ligiaprotti}
|
Pira na sua
excita
assusta
veste o que te pulsa dentro
transfigura-se no que já faz parte de ti
liberta o que mais há de vir
Insiste em ser vário
porque a vida é curta.
03/06/05
SINERGIA
O que somos nós
se não um punhado de emoções
sólidas em átomos
que constroem nosso corpo?
Punhado de emoções
que anda
dorme
come
faz amor
Um enxame de abelhas
onde a essência de cada um
vem do pólen que carregam
Sentem, como se às vezes
os pés não mais tocassem o chão
e se perguntam:
qual será o destino?
Assim as abelhas fazem...
Pequeninas,
mantenham-se unidas e produzam o mel,
se não, a vida finda
14/12/04
se não um punhado de emoções
sólidas em átomos
que constroem nosso corpo?
Punhado de emoções
que anda
dorme
come
faz amor
Um enxame de abelhas
onde a essência de cada um
vem do pólen que carregam
Sentem, como se às vezes
os pés não mais tocassem o chão
e se perguntam:
qual será o destino?
Assim as abelhas fazem...
Pequeninas,
mantenham-se unidas e produzam o mel,
se não, a vida finda
14/12/04
SEXTA-FEIRA
A minha sensação de liberdade é curta
embora intensa
e lembro-me
d'olho n'olho
cabelos se enroscando
num só nó
Ó só!
Éramos nós
éramos uno
e de repente
naquela mesa de bar
entro numa de autista
uma onda só minha
Ó só!
Mira!
E tudo muda
o mudo silêncio
na minha cabeça pirando
completamente sóbria
03/12/04
embora intensa
e lembro-me
d'olho n'olho
cabelos se enroscando
num só nó
Ó só!
Éramos nós
éramos uno
e de repente
naquela mesa de bar
entro numa de autista
uma onda só minha
Ó só!
Mira!
E tudo muda
o mudo silêncio
na minha cabeça pirando
completamente sóbria
03/12/04
31 de dezembro de 2006
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serra {ligiaprotti}
|
que se meus olhos falassem
seriam desorientados
Tão engraçado quanto chato
é ser dessa constância nunca perene
Permita-me que eu ande
ao menos sem pisar nas plântulas
e sem o roçar da urtiga contra a pele
Boba
urticária dentro da boca
saiba e aprenda que o presente
é o único momento que existe
e coopera em nossa presença
Assim, cansei de ser indecisa
basta de talvez, pode ser, quem sabe, não sei
assumo que me perco
e a cada dia procuro mais a trilha
13/12/06
TATOS
Isso que me sai
como gozo entre as pernas
de fluido róseo
doce sumo da fruta
é quente e chega feito lavra
Estilhaçar de cactos
tontos espasmos
alvorada
isso que me sai
buscando-me completa
Espectadora de mim mesma
me avisto, leve, cálida, tímida
me avisto e me perco
sangria e grilhões através dos montes
Carrego o mundo entre as pernas
21/12/06
como gozo entre as pernas
de fluido róseo
doce sumo da fruta
é quente e chega feito lavra
Estilhaçar de cactos
tontos espasmos
alvorada
isso que me sai
buscando-me completa
Espectadora de mim mesma
me avisto, leve, cálida, tímida
me avisto e me perco
sangria e grilhões através dos montes
Carrego o mundo entre as pernas
21/12/06
PANFILIA
nda da triboComo me perco nos corpos de alguns meninos
livres, andarilhos atmosféricos
munidos de bicicletas
Meninos vagantes
sem rumo mapeado, cujo caminho,
por instantes, esbarram no meu,
e, assim me perco
por entre cheiros, pêlos,
e o constante virar de olhos.
05/2005
livres, andarilhos atmosféricos
munidos de bicicletas
Meninos vagantes
sem rumo mapeado, cujo caminho,
por instantes, esbarram no meu,
e, assim me perco
por entre cheiros, pêlos,
e o constante virar de olhos.
05/2005
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agenda da tribo
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30 de dezembro de 2006
TENRA
Pudesse sair semeando flores
de circo e girassol
pudesse, neste chão de sal,
onde por entre o quartzo, cresce o vivo,
fazer minha morada de cama-almofada verde cor-de-folha
pudesse, enfim, ser teu fruto
objeto de sumo doce
tantas e tantas vezes concebido por entre teus dedos,
cujos desejos talvez sejam
brotar e viver por entre tudo o que é ipê e cacto florido.
13/07/05
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caparaó {ligia protti}
|
Pudesse sair semeando flores
de circo e girassol
pudesse, neste chão de sal,
onde por entre o quartzo, cresce o vivo,
fazer minha morada de cama-almofada verde cor-de-folha
pudesse, enfim, ser teu fruto
objeto de sumo doce
tantas e tantas vezes concebido por entre teus dedos,
cujos desejos talvez sejam
brotar e viver por entre tudo o que é ipê e cacto florido.
13/07/05
CHAPADA
CHAPADA
Somos feitos de luz e todo o tempo é feito de cria: criar-te. Todo som resplandece, e cabelos se confundem com a vontade de ser. O ser é de pedra, e nesse lugar todos se encontram. Entorpecida de frio, já vermelha do interno, procuro pelos espaços brancos.Havia tempo que não sonorizava na freqüência do entorpecimento. Havia o frio, e era por isso.O som emerge ao lado. Não há nada mais sonoro que a juventude. Que ela nunca se perca. Amemo-nos, esse é o caminho.
Viro de costas e me abro para o mundo. Mariposas na luz parece purpurina. Acho que tudo brilha dentro de mim. Dê-me uma flor, e meu sorriso, numa metamorfose,
toma forma de borboleta. É com amor que vivo, respira comigo e assim formamos um. Ambíguos são os instantes, e se me acostumo a ver o mundo por este ângulo, já me perco. Só por hoje, e amanhã volto a ser eu.
28/12/05
Somos feitos de luz e todo o tempo é feito de cria: criar-te. Todo som resplandece, e cabelos se confundem com a vontade de ser. O ser é de pedra, e nesse lugar todos se encontram. Entorpecida de frio, já vermelha do interno, procuro pelos espaços brancos.Havia tempo que não sonorizava na freqüência do entorpecimento. Havia o frio, e era por isso.O som emerge ao lado. Não há nada mais sonoro que a juventude. Que ela nunca se perca. Amemo-nos, esse é o caminho.
Viro de costas e me abro para o mundo. Mariposas na luz parece purpurina. Acho que tudo brilha dentro de mim. Dê-me uma flor, e meu sorriso, numa metamorfose,
toma forma de borboleta. É com amor que vivo, respira comigo e assim formamos um. Ambíguos são os instantes, e se me acostumo a ver o mundo por este ângulo, já me perco. Só por hoje, e amanhã volto a ser eu.
28/12/05
INÍCIO
Depois de um tempo
percebi que queria ser ínfima
e ao mesmo tempo infinita
Queria olhos
tornando os meus como seus
sem ser espelho.
10/11/05
percebi que queria ser ínfima
e ao mesmo tempo infinita
Queria olhos
tornando os meus como seus
sem ser espelho.
10/11/05
29 de dezembro de 2006
ABDUZIDA
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{ligiaprotti}
|
era do modo como sentia-se
[sempre havia]
trazida para os mais recôngidos espaços
seres alados de sexo nu
semblante inundado
pelo rubro sentir de tirar o fôlego
necessidade de afago
[dá-me uma febre tonta]
enxarcada de torpor
deserto de pêlos eriçados
ressentida já de tudo vivida
mesmo assim, ainda viva
iríamos para o sexto quarto?
tínhamos como meta o translado
tranpassado pelos poros para sempre abertos
falando de metafísica, além do corpo
[não vou nem mesmo além de mim]
quem dirá além do outro
Sentir-se em
EXcepcional
(des) Ordem
seria muito para aquele simples dia
de chuva fina e frio nos pés:
ressentida já de tudo vivida
mesmo assim, ainda viva
iríamos para o sexto quarto?
tínhamos como meta o translado
tranpassado pelos poros para sempre abertos
falando de metafísica, além do corpo
[não vou nem mesmo além de mim]
quem dirá além do outro
Sentir-se em
EXcepcional
(des) Ordem
seria muito para aquele simples dia
de chuva fina e frio nos pés:
permanecemos intactos.
28 de dezembro de 2006
DESTEMIDA
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{ligiaprotti}
|
Deito na cama
e pra cima de mim, mia
rosnando no ouvido,
enquanto esqueço o amargo do dia
Acomoda-se sobre a barriga
seu bigode colado na minha cara erguida
Às vezes me lambe
E eu, desprevenida,
não temo uma mordida,
afinal felinos não são como alguns homens
30/11/04
DUAL
Alucina-me, confusa
representa
e verdades soam à toda
na cara
seu fosco soneto da embriaguez
Talvez ampliada na multidão
simplesmente pela forma de agir
sorri, indecisa
porém, persiste no ir
sugando
expirando sons
fazendo parte, e arte
ardendo a cada palavra
que atue como carta branca
para mais uma de suas viagens
aguçantes do sentir-se febril
Latejante de corpo e alma
flamejante
tanto que fica impossível de guardar pra si
si, só si
Mi Si Sol Ré Lá Mi
mira as rimas na minha cabeça que te levo pro céu
por entre as Chapadas, ou pra dentro do Atlântico
indecisa, já disse
Pirigando parar no ar
e caçar uma escada pra descer
sonhando sempre pra matar a vontade
05/08/04
representa
e verdades soam à toda
na cara
seu fosco soneto da embriaguez
Talvez ampliada na multidão
simplesmente pela forma de agir
sorri, indecisa
porém, persiste no ir
sugando
expirando sons
fazendo parte, e arte
ardendo a cada palavra
que atue como carta branca
para mais uma de suas viagens
aguçantes do sentir-se febril
Latejante de corpo e alma
flamejante
tanto que fica impossível de guardar pra si
si, só si
Mi Si Sol Ré Lá Mi
mira as rimas na minha cabeça que te levo pro céu
por entre as Chapadas, ou pra dentro do Atlântico
indecisa, já disse
Pirigando parar no ar
e caçar uma escada pra descer
sonhando sempre pra matar a vontade
05/08/04
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